O Verdadeiro Lado da Vida de um Ansioso

coração

Dormia e me remexia na cama, o coração apertado, a respiração ofegante. Pensava:
— Eu deveria estar dormindo melhor, por quê não me acalmo?
Estou com sono, quero dormir em paz.
Me reviro, me reviro e começo a despertar aos poucos.
Olhei para o relógio. Eram 07:30.
Mas como se fui dormir às quatro?
Lembrei que cheguei um pouco alegre, derrubei algumas coisas, mas estava bem.
Passei a lembrar daquele pub, muito Rock n`Roll, muitas pessoas bonitas, mas o clima era pesado.
Voltei a tentar dormir, não conseguia.
Fui ficando com frio, mais frio e os pensamentos de culpa não saíam de minha cabeça.
Pensava que logo teria que me arrumar para viajar, mas não me sentia bem.
Como sairia daquela cama sem me sentir bem?
Coração acelerado, frio, enjoo e dor de barriga.
Decidi me levantar e tomar um banho.
Durante o banho, sentia aquela ducha quente tentar me acalmar.
Tentava me convencer de que aquela ducha me acalmaria.
Coração apertado, ofegante e cabeça a mil.
Começava então a me culpar.
Você não conseguiu nada de útil em sua vida até hoje. Quem é você? Quando terá uma vida melhor? Por quê não consegue levantar cedo e ir caminhar como as pessoas sãs conseguem?
Você está sozinho, está longe de tudo e de todos.
Quem é o seu grupo? O que faz neste mundo?
Quantos anos você tem? Como esperava que sua vida estivesse quando atingisse esta idade?
Onde mora? O que te pertence?
Quem te pertence?
O que você fez até hoje?
Para onde quer ir?
Por quê não está estudando mais?
(…)


Por quê todos conseguem rir menos você?
Como queria que sua vida fosse?
Por quê não existe naturalidade em nada que faz?
Por quê você não pertence? Por quê sonha com coisas tão inalcançáveis?
E se tivesse escolhido outro caminho?
Como será o futuro?
Esta tortura psicológica irá passar um dia?
Quando serei feliz de verdade?
Quando poderei ver meus valores e seguir com segurança?
Segurança?
O que isto significa?
Não estou seguro.
Esta cidade está um caos.
Demorarei séculos para chegar a algum lugar.
Tudo caro.
Quando terei um lar próprio?
(…)
O que eu gosto?
Poucas coisas eu gostei em minha vida. Dança, filmes, momentos raros, abraços raros, praias raras, sensações de pertencimento raras.
Por quê todos conseguem se divertir com coisas banais e eu não?
Por quê não pertenço?
A onde pertenço?
Quero viver, sonhar, voar, mas para onde?
Teria coragem de voar?
Tenho medo, muito medo.
Quero conquistar o mundo.
Que mundo?
Teria eu habilidade para dominar este mundo?
Será que fiz escolhas que me trouxessem sanidade?
Ou será que escolhi o caminho que será mais tortuoso?
Mas se tivesse escolhido o caminho mais fácil, seria eu feliz, sem me intrigar?
Oh, quantas indagações…
Ignorância realmente é uma benção…
Será que todos são assim como eu?
Estou com medo de sair de casa.
Que lugar é esse?
Pertenço a aqui?
Meu estômago ainda recusa o pensamento de comida, meu coração não desacelera.
Deveria eu tomar um calmante?
Mas e se eu tomar calmante e não relaxar?
E se eu só relaxar com calmantes no futuro?
Como lidarei com problemas maiores em minha vida se não consigo lidar com as pequenas pressões de hoje?
Pequenas pressões?
Seriam pequenas as pressões de tentar se criar uma identidade neste mundo cheio de pessoas tão melhores do que eu?
Auto estima…
Por quê penso eu que estas pessoas são melhores?
Você deveria trabalhar melhor esta auto estima ai…
Cansado.
Cansado de pensar tanto.
Só queria relaxar e ser ignorante.
Queria não querer saber de tudo.
Queria ter o mesmo sorriso leve das pessoas na rua.
Como são suas vidas?
São completas?
Ou seriam todos fúteis querendo comprar a felicidade num shopping?
Ignorantes, felizes todos os ignorantes…
Estou eu ficando doente?
Por que não me sinto bem?
Preciso de terapia…
Terapia é caro! ó meu Deus, nada tem solução!
Onde estará a felicidade em mim mesmo?
Seria eu feliz quando estiver velho?
Quando já tiver vivido tudo o que tinha para viver e já saberia como foi minha vida? Sem medo do que será o futuro que já teria passado?
(…)
Oh vida feliz de Disney, onde estará?
Oh Príncipe encantando, existes?
(…)

Quando virei uma pessoa tão realista? Para onde foram os sonhos? A vida teria graça em si? Ou nós faríamos esta graça? O que será do amanhã? E o agora? Deveria estar vivendo o agora. Ainda estou neste banho e estou cansado, cansado de pensar, cansado de sofrer. Quero ser leve. Quero ser livre. Quero morrer. Haveria liberdade nos céus? Mas a igreja criou o céu? O que há depois daqui? Não, não quero mais morrer, quero encontrar a felicidade aqui. Aqui. E aqui. Estou cansado de pensar. Vou ligar uma música. E assim os pensamentos se esvaem no modo automático de se viver, onde todos aqueles ignorantes vivem. Oh dom incoerente o de pensar e questionar. Oh dom causador de toda esta necessidade de ser ter o controle sobre tudo. Oh maldita necessidade de acelerar as coisas e controlar aquilo que não posso. Oh vida…
Sai do banho, tentava ver o mundo como algo a que pertenço e começava a arrumar minhas coisas para viajar. Aos poucos o coração foi desacelerando. A crise de ansiedade ia passando… O corpo se aquietando. E a busca por um dia de paz se iniciava… Os prantos e as orações para alguém que talvez estivesse me olhando invadiam o peito e a paz ia entrando. Como fazer para manter esta paz? Já não se sabia mais, afinal, de que adiantava pensar tanto? Ligava o botão do desligamento e do modo automático e sonhava com uma vida tranquila numa varanda, numa rede e um copo de café. Ah não, desta vez, chá, porque café incita a ansiedade.
(Domie Lennon)
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